No encerramento do “Domingão com Huck” de 2 de novembro de 2025, o apresentador Luciano Huck dedicou um espaço para comentar a megaoperação policial nos complexos da Penha e do Alemão, no Rio de Janeiro. Morador da cidade há 25 anos, Huck afirmou sentir-se na obrigação de se manifestar sobre a tragédia que resultou em 121 mortes, incluindo a de quatro policiais.
O Teor do Pronunciamento
Com um tom emotivo, Huck criticou o que chamou de “o mesmo modelo de segurança pública se repetindo há décadas sem nenhum resultado”. Ele lamentou as vidas perdidas, destacando que por trás dos números havia “120 mães que enterraram seus filhos”. O apresentador questionou se esse seria o futuro sonhado por essas mães para suas crianças.
Huck defendeu a necessidade de combater o narcotráfico “com força total”, por meio de ações coordenadas entre os poderes municipal, estadual e federal, e o sufocamento financeiro das organizações criminosas. No entanto, ele ressaltou que a solução não se resume a ações policiais. Para o apresentador, é crucial gerar oportunidades e perspectivas para os jovens que nascem nessas comunidades. “Quando o Estado se ausenta, outro poder ocupa esse lugar. E é justamente isso que precisa mudar”, declarou.
Ele finalizou seu discurso prestando solidariedade às famílias dos quatro policiais mortos em combate, reafirmando seu apoio “à boa polícia”.
A “Operação Contenção”: A Mais Letal da História
A fala de Huck ocorreu no contexto da **Operação Contenção**, deflagrada em 28 de outubro de 2025. A ação, que envolveu cerca de 2.500 agentes, visava conter a expansão da facção criminosa Comando Vermelho em 26 comunidades da Zona Norte do Rio. A operação se tornou a mais letal da história do Brasil, superando o massacre do Carandiru, com um saldo de 121 mortos.
A operação foi marcada por intensos confrontos, com criminosos utilizando drones para lançar bombas contra as equipes policiais. Foram apreendidas mais de uma tonelada de drogas e 118 armas, incluindo 93 fuzis. A Defensoria Pública do Rio de Janeiro recebeu denúncias de graves irregularidades, como execuções sumárias e remoção indevida de corpos, levantando questionamentos sobre a violação de direitos humanos.
A Repercussão: Uma Onda de Críticas e Acusações
O pronunciamento de **Luciano Huck** não foi bem recebido por uma parcela significativa do público e por algumas personalidades da mídia e da política. A principal crítica foi a de que o apresentador estaria “romantizando o crime” e desrespeitando as forças de segurança.
Críticas de Outras Figuras Públicas
O apresentador Luiz Bacci, do SBT, foi um dos críticos mais vocais. Em suas redes sociais, Bacci afirmou que no comentário de Huck “só tem bandido” e que “o povo não aguenta mais gente defendendo bandido”. Ele acusou Huck de falar de dentro de sua “bolha” e de nunca ter conhecido a realidade de uma favela sem proteção.
O deputado federal Sargento Fahur (PSD-PR) também reagiu com indignação, chamando o apresentador de “babaca” em um vídeo. Fahur rebateu a fala sobre as mães, afirmando que elas estavam “enterrando filhos que mataram, traficaram, meteram bala em inocentes”.
Reação nas Redes Sociais
Nas redes sociais, os comentários contra o apresentador se multiplicaram. Internautas deixaram mensagens como “Dito isso, ele entrou no blindado dele, rodeado de segurança e foi pra mansão de luxo dele” e “Botão de quem acha que ele só falou besteira”. Muitos seguidores expressaram decepção e pediram o boicote ao seu programa, com uma seguidora escrevendo: “Admirava tanto vc, mas agora depois de defender traficante, minha admiração foi para o ralo”.
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Conclusão: Um Debate Necessário, mas Complexo
O episódio envolvendo **Luciano Huck** e a **Operação Contenção** expõe a profunda polarização da sociedade brasileira em relação à segurança pública. De um lado, a defesa de uma abordagem mais humanista e focada em políticas sociais para combater as causas da criminalidade. Do outro, o apoio a ações policiais enérgicas como única resposta à violência do narcotráfico. A controvérsia gerada pelo comentário do apresentador, embora tenha resultado em ataques pessoais, trouxe à tona um debate crucial e complexo sobre qual caminho o Brasil deve seguir para alcançar a paz e a segurança para todos os seus cidadãos.